Recauchutagem

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 7 de dezembro de 2011 13:24

Sentiram o cheiro de borracha queimada? Viram a freada súbita, quase um cavalo de pau? Perceberam o desgaste dos pneus do calhambeque brasileiro? Ué, não era um Cadillac?
A economia brasileira parou de crescer no terceiro trimestre, conforme revelou o IBGE. O resultado já era esperado, apesar da profunda consternação, em destaque nas manchetes dos jornais. Afinal, o índice de atividade mensal do Banco Central, o IBC-Br, já insinuara que uma brusca desaceleração da atividade teria ocorrido. O que “surpreendeuâ€, no entanto, foi a queda do consumo – a primeira desde o último trimestre de 2008, quando a economia global derrapou nas curvas sinuosas da montanha de dívidas, saiu pela tangente, e capotou. Por que o motor do consumo, logo ele, o carro-chefe do crescimento brasileiro nos últimos anos, engasgou agora?
Eis uma hipótese. O combustível do consumo brasileiro nos últimos anos foi cuidadosamente processado nos laboratórios e refinarias do governo brasileiro. Optou-se por uma fórmula que misturava ingredientes do “Estado de Bem-Estar Social†da Europa – programas assistencialistas, transferências de renda, e benefícios generosos – às medidas de incentivo ao crédito farto e barato, nos moldes do “modelo americano†de crescimento. A mistura recauchutada foi muito bem sucedida por algum tempo, ajudada pelos solavancos da economia mundial, cujo motor de arranque não engatava de jeito nenhum. Ainda bem. Pois foi isso o que impediu que a inflação, o dejeto químico inevitável deste composto poderoso, deslanchasse de vez. Mas eis que as pressões sobre os preços das commodities no início do ano removeram as resistências inflacionárias da economia brasileira. Os preços subiram. Assustadoramente.
Preocupadas, as autoridades brasileiras voltaram aos laboratórios e resolveram diluir, consideravelmente, o crédito. Introduziram “medidas macroprudenciaisâ€, isto é, restrições quantitativas, enfraquecendo o combustível brasileiro. A nova mistura do governo brasileiro foi responsável por um aumento gradual da entropia – do estado de desordem, de energia desperdiçada – nos reagentes reponsáveis pelo crescimento brasileiro. O pico dessa entropia, o seu efeito máximo sobre o consumo, veio no terceiro trimestre. Resultado: o consumo parou. O Cadillac foi para a oficina.
Insatisfeitos com o resultado, os mecânicos da equipe econômica tentam, rapidamente, recauchutar os pneus, reinstalar um motor flex, capaz de aceitar todo tipo de combustível, desamassar e polir a lataria. Mas há um problema. Desta vez, dificilmente o desempenho do mundo esconderá a qualidade dos veículos do crescimento brasileiro. Seus motores são muito parecidos com os que afogaram com o excesso de combustível das dívidas nas economias maduras. Consumo movido a crédito gera um aumento das obrigações financeiras das famílias, pesa nos orçamentos mensais, e, em algum momento, esses indivíduos, abarrotados de dívida, já não conseguem mais comprar. Nem mesmo as geladeiras mais baratas, os fogões a um preço camarada, ou as máquinas de lavar digitalizadas, cheias de botões para apertar. Ainda que o governo tente dar aquele empurrão, para ver se o motor de arranque pega no tranco.
O resultado é que, como Roberto Carlos, entramos na oficina com um Cadillac, meio gasto, com alguns problemas na ignição, e estamos saindo com um calhambeque.
O calhambeque tem lá o seu charme. É cult. Encanta, sobretudo aqueles que não têm nem mais uma carroça para puxar suas economias. Mas é um veículo antigo, um carro usado. Anda devagar, enguiça à toa e o seu motor flex não funciona lá muito bem. Qualquer hora dessas pode acabar fundindo com o excesso de aquecimento inflacionário.
Não há de ser nada, pensam os donos do carango. Os problemas podem ainda demorar um pouco a aparecer. Até lá, o melhor é curtir o calhambeque, bi-bi.

Refundar ou Afundar

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 2 de dezembro de 2011 10:12

“Nicolas Sarkozy diz que é preciso “refundar†o euroâ€. O Presidente francês mereceu essa manchete em vários jornais brasileiros, depois de um longo discurso para simbolizar o início de sua campanha eleitoral. Confesso que as manchetes me causaram certa perplexidade. Será que os jornalistas brasileiros estariam ironizando a tragicomédia em que se transformou a discussão sobre a crise europeia? Ou será que usaram a palavra “refundar†para dar a ideia de que a zona do euro seria reformulada e recriada até o final da semana que vem, quando ocorrerá a reunião de cúpula do “ou vai ou rachaâ€?

Refundar, de acordo com o dicionário Houaiss, significa “tornar mais fundo, afundarâ€. Em certos casos, pode também querer dizer “aprofundarâ€. Mas não foi assim que o líder francês se referiu aos esforços de salvar o euro. Ele disse “relaunchâ€, ou “relançarâ€, o foguete – ou melhor, o submarino – do euro. Mais sobre submarinos no final desse texto.

Angela Merkel, aparentemente, não quer “relançar†nada. O que ela quer é aprofundar – refundar, na sua acepção correta. Quer a união fiscal entre os países do euro, com mudanças nos tratados da União Europeia e com a concessão de poderes supranacionais à Corte de Justiça Europeia, que ficaria encarregada de aplicar as multas e penalidades aos países que transgredirem as novas e rigorosas regras para o déficit e para a dívida. Eurobônus já? “Neinâ€. BCE com licença para matar nos mercados de dívida soberana? “Neinâ€. Possibilidade de formar um fundo onde as dívidas dos países seriam amalgamadas (“joint liabilityâ€)? “Neinâ€. O que é necessário, segundo a Chanceler, é dar início a um processo de integração fiscal e política que poderá “levar anos para ser finalizadoâ€, usando uma prova de maratona como metáfora para o esforço.

Voltemos à Sarkozy. O líder francês enfrenta uma eleição presidencial bastante complicada no ano que vem. Seu desempenho nas pesquisas de opinião não é lá dos melhores. Sem contar que a economia está extremamente frágil e que as chances de uma recessão mais grave no ano que vem não são nada desprezíveis – muito pelo contrário. Nestas condições, será mesmo que Sarkozy cederá às pressões de sua “parceira†para que abra mão de sua “soberania fiscalâ€? Hmmm…

Em um artigo para o jornal “O Estado de São Paulo†de 02 de janeiro de 2009, Dionisio Dias Carneiro (ver O Submarino de Mário Simonsen) citou uma imagem famosa de Mário Henrique Simonsen – a do submarino, que, projetado por um gênio, poderia ser pilotado por um imbecil. O euro está cada vez mais com a cara oposta à do submarino de Mário Simonsen. Se não for pilotado, e rápido, por um gênio, afundará.

O Fim do FEEF

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 30 de novembro de 2011 8:40

Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. FEEF. Repitam algumas vezes: FEEF, FEEF.  Não parece o ruído de um balão se esvaziando? Pois a sigla em português para aquela que seria a arma letal da zona do euro contra a crise é perfeita para simbolizar as ações dos líderes europeus desde que a união monetária começou a se esfacelar, há pouco mais de um ano. Inflar. Encher de ar algumas bolas coloridas – o FEEF, o mecanismo que o suplantaria em 2013, o ESM, o suposto Fundo Monetário Europeu, e, agora, a união fiscal. Mas mecanismos institucionais malconcebidos são como os frágeis balões de festa. Depois de um tempo, o ar vaza. Ou pior – o balão estoura.

O balão do FEEF esvaziou. Isso ficou mais do que claro nas declarações de alguns Ministros das Finanças da zona do euro após o encontro que deveria apresentar e discutir alternativas para o fundo europeu. Várias autoridades constataram o óbvio. Sem o auxílio do BCE, não há recursos para dar ao mecanismo a capacidade de ajudar os países que já não conseguem mais se financiar nos mercados – a Itália, a Espanha, e, brevemente, a Bélgica, quiçá a França. Mas o FEEF foi, desde a sua concepção original, um instrumento estranho, um bicho esquisito. Nunca teve recursos próprios. Seu suposto poder de fogo vinha de garantias dos países com classificação de risco AAA, uma raça em extinção na zona do euro – aliás, uma espécie ameaçada no mundo todo.

Mas os europeus ainda não estão prontos para abandonar os seus balões coloridos e encarar a dura realidade. Sempre sobra algum ar nos pulmões dos políticos. Como a Alemanha tem um alfinete na mão para furar, incansavelmente, os balões do eurobônus e do uso indiscriminado do BCE, os europeus buscam, freneticamente, outras opções. Há duas alternativas sendo infladas, simultaneamente.

A primeira é a ideia de repassar recursos do BCE diretamente para o FMI, que então emprestaria o dinheiro para os países da zona do euro em apuros. O FMI reconfigurou, recentemente, suas linhas de financiamento mais “flexíveisâ€, permitindo-se a possibilidade de emprestar até 1000% da cota de um país, caso ele atenda a certos critérios. Para a Itália, isso hoje significaria um empréstimo de cerca de US$ 130 bilhões, cobrindo três meses dos vencimentos de dívida de 2012. Para a Espanha, o montante equivaleria a cerca de US$ 70 bilhões. É pouco. Por isso, estuda-se a possibilidade de envolver o BCE. Contudo, é preciso antes combinar, literalmente, com os russos. E com os brasileiros, os chineses, os indianos, e todos os outros países membros do FMI, já que os recursos seriam providos pelo BCE, mas o risco de crédito ficaria no balanço do Fundo Monetário Internacional. Também será necessário convencer os alemães a deixar que o BCE emita moeda para turbinar o FMI, tarefa talvez mais difícil do que a de convencer os grandes países emergentes, que provavelmente cederiam se a eles fosse prometida uma representatividade maior na instituição. Não há mais tempo para negociações intrincadas como essa.

A segunda alternativa é a união fiscal. Este é um balão e tanto. Para ser imperfurável e inviolável, exigiria dos políticos esforço e fôlego sobrehumanos, já que o caminho seria modificar os tratados da União Europeia e conseguir a aprovação de 27 países. Reconhecendo as dificuldades e o tempo que tal solução demandaria, os líderes europeus já preparam uma alternativa bem mais efêmera. Propõem-se a elaborar e assinar, conjuntamente, uma carta de intenções, comprometendo-se com critérios objetivos para os ajustes fiscais e submetendo-se às penalidades estabelecidas em caso de transgressão. Falta, entretanto, algo fundamental, cuja tradução para o português é imprecisa. Falta enforceability. Isto é, sem os mecanismos institucionais adequados, quem garante que um país que não for capaz de cumprir as suas promessas por razões legítimas – como, por exemplo, uma recessão mais severa do que a antecipada – se submeterá voluntariamente ao castigo estipulado? Não parece mais um balão colorido, cujo destino é o mesmo do feef, feef?

Balões de ar, balões de gás – os primeiros não resistem à força da gravidade e caem no chão, depois de inflados e lançados ao ar. Os outros flutuam, flutuam, escapam e desaparecem no horizonte se não segurarmos vigorosamente seus fitilhos. Ambos, entretanto, têm o mesmo destino. Um dia se esvaziam.

Feef, Feef – é este o ruído que ensaia o balão do euro?

O BC, o SAMBA e a MPB

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 12 de setembro de 2011 16:04

“Samba da minha terra deixa a gente mole

Quando se canta todo mundo bole

Quando se canta todo mundo bole

Quem não gosta de SAMBA, bom sujeito não é

É ruim da cabeça, e doente do pé.â€

Dorival Caymmi

Molejo nos quadris para equilibrar o novo “duplo mandato†com aquele jeitinho. Destreza nos pés para se esquivar das críticas – afinal, quem não gosta de SAMBA (os mercados? os analistas?)…esse, coitado, já foi descartado pelo grande Dorival Caymmi. E pelo Presidente do Banco Central Alexandre Tombini, em entrevista reveladora para o jornal Valor Econômico.

Tombini não conseguiu apagar a impressão de que ou nasceu com o SAMBA, ou no SAMBA se criou, ou ambos. O BC tem uma meta para a inflação. E para o crescimento. Isso ficou claro como lágrima sob a pele escura, nas palavras de Caetano e Gil. E agora? Bem, agora já não se sabe mais nada.

O BC agora usa o SAMBA para orientar suas decisões de política monetária. Esse SAMBA que o BC usa é um modelo de equilíbrio geral estocástico baseado em uma abordagem bayesiana. O que? É isso mesmo. Filho da dor, certamente, mas pai do prazer? Caetano e Gil que desculpem o BC, mas este SAMBA não é assim.

O grande poder transformador do SAMBA do Banco Central é a capacidade de transformar um cenário global lamuriento, porém não apavorante, em estimativas de inflação razoavelmente bem comportadas, tudo em nome do trem da alegria do crescimento econômico. Para que tanta pressa em combater a inflação? Afinal, se o BC tem de fazer SAMBA até mais tarde, há de ter muito sono de manhã. Chico já nos disse isso. O BC tem muito mais o que fazer do que ficar dando trela para essa lamentação interminável dessa gente esquisita que não gosta de SAMBA. Tem de prestar atenção no samba do crioulo doido da Europa, no samba de gringo, enrijecido, dos EUA.

É triste dizer isso, mas, neste caso, tenho de concordar com a Madame de João Gilberto.

“Vamos acabar com o SAMBA

Madame não gosta que ninguém sambe

Vive dizendo que SAMBA é vexame

Pra que discutir com Madame?â€

O Novo Brasil Velho

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 6 de setembro de 2011 9:31

Suspeitas de interferência política na condução da política monetária. O resgate do debate entre estabilização e crescimento, à la Simonsen vs. Delfim Netto. Crédito público farto, escolha de campeões nacionais. É esse o Brasil que queremos depois de mais de quinze anos de esforço para estabilizar a economia e extirpar a inflação?

Os anos passam e continuamos presos na mesma ladainha. Não se definem os rumos para o País, não sabemos o que queremos ser, nem para onde queremos ir. Não temos um plano de desenvolvimento de longo prazo; nunca tivemos. No passado, havia uma explicação para isso – a instabilidade macroeconômica. A necessidade de apagar incêndios continuamente, seja por causa da inflação desorganizadora, seja devido aos choques externos que nos atingiam mais do que proporcionalmente em razão da nossa histórica imprudência, tornava quase impossível a tarefa de reorientar o debate conjuntural para as necessidades estruturais do Brasil. Com a estabilização iniciada com o Plano Real, sob o governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, e continuada nos primeiros anos do ex-Presidente Lula, parecia que havíamos, finalmente, nos devencilhado das amarras conjunturais. O “tripé macroeconômico†funcionara. A combinação de câmbio flutuante, com metas de inflação e maior responsabilidade fiscal abrira caminho para a queda da inflação e para a elevação do crescimento.

Fez mais. Permitiu que atravessássemos a maior crise mundial das últimas décadas sem que sofrêssemos as convulsões avassaladoras que antes nos vitimavam. A paralisia do crédito global em 2008 não impediu a recessão, que se alastrou, de forma ineditamente sincronizada, mundo afora. Mas a credibilidade adquirida mediante o bom funcionamento do nosso “tripé†garantiu que alguns dos artifícios perniciosos usados para que saíssemos mais rapidamente da recessão – a farra dos gastos públicos e do crédito das instituições estatais, também motivada por razões políticas – passassem incólumes pelos olhos dos investidores internacionais, nossos algozes de outrora. É verdade que esses investidores estavam em estado de choque, traumatizados pela hecatombe financeira. Ainda estão.

Contudo, diante desse histórico de sucesso, era de se esperar que o governo brasileiro deixasse um pouco de lado o debate conjuntural para discutir seriamente as questões estruturais do País. Os gargalos de infraestrutura, que não serão resolvidos na base do improviso e sim com um planejamento cuidadoso e bem dirigido. A má qualificação da mão-de-obra e os gravíssimos problemas de educação, noticiados diariamente nos jornais. No entanto, ao invés de começar a fincar as estruturas para o desenvolvimento do País, de construir as bases do crescimento futuro, o governo optou por uma operação de desmonte. Começou pela responsabilidade fiscal, com as travessuras de 2010 que alteraram artificiamente o superávit primário. Prosseguiu com a interferência no mercado de câmbio, que apesar de assolado pelos fluxos exagerados de liquidez externa derivados das políticas monetárias frouxas do mundo avançado, não necessitava de tanto “zeloâ€. Certamente não precisava da introdução de uma ardilosa incerteza regulatória nas operações com derivativos, perante a “licença para matar†concedida ao Conselho Monetário Nacional. O último prego no caixão do tripé veio com a manipulação e a subsequente desvirtuação de um debate fundamental – o relacionado ao mix entre a política fiscal e a monetária – em prol da interferência direta sobre a política de juros, transformando o regime de metas de inflação em algo disforme, liquefeito, descaracterizado. Ainda que dois corajosos membros do COPOM tenham votado contra a afobada redução da Selic.

Segue um recado para as autoridades brasileiras: as críticas não são tacanhas, tampouco míopes. Não dizem respeito apenas à queda prematura dos juros brasileiros. Ao contrário, refletem a decepção de muitos com a ausência de um debate visionário e congruente sobre o futuro do País. Se conseguirem entender essa mensagem, saibam que terão o apoio de vários daqueles que expressaram, recentemente, a sua profunda consternação.

Meia Noite em Brasília

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 4 de agosto de 2011 17:37

No filme de Woody Allen, toda noite o protagonista esperava pelo (espaçoso) carro antigo que o levava de volta para a Paris de outras épocas, desfrutando da convivência com alguns dos principais pintores, escritores e intelectuais da era moderna. Integrantes do governo brasileiro parecem ter se inspirado nessa fantasia deliciosa para recolher antigas relíquias da política econômica e reciclá-las com ares de ousadia. O automóvel disponível para a volta no tempo da trupe de Dilma é um Isetta, o primeiro carro produzido no País, em 1956. Toda noite, quando passa pela rampa do Palácio do Planalto, entra alguém da equipe econômica para um tour nostálgico. O problema é que o Isetta é um microcarro – algo como o tio do Mini Cooper – e só acomoda um passageiro, além do motorista. Talvez seja por isso que as políticas recicladas venham de várias épocas distintas, prejudicando a congruência, dependendo das preferências particulares de quem entra no carro, a cada noite.

Que a Presidente foi a primeira passageira, ninguém duvida. Escolheu os milagrosos anos 70 e inspirou-se nas políticas de campeões nacionais, nas benesses do crédito público e no debate sobre crescimento versus estabilização macroeconômica. Gostou da receita do bolo de Delfim Netto, e trouxe consigo um pouco daquele fermento, salpicando o Ministro da Fazenda e os Presidentes do BNDES e do Banco Central. Maravilhado com as histórias da Presidente, Guido Mantega sentou-se na rampa para aguardar o Isetta na noite seguinte e nas várias posteriores. Perambulou por diversas epócas distintas e colheu amostras de intervencionismo, repressão financeira, políticas de estímulo à produção nacional e algumas pitadas de câmbio fixo. Ignorou a inflação – afinal, passeios nostálgicos têm de possuir aquele sabor que os ingleses e americanos chamam de bittersweet. Não existe saudosismo inflacionário, pois o sabor é azedo, o cheiro é rançoso, o aspecto é asqueroso.

Exultante com as suas descobertas, Mantega relatou detalhadamente a experiência a Fernando Pimentel e Alexandre Tombini. O Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior não resistiu à tentação de visitar, logo que possível, a segunda metade dos anos 50, para ver de perto a execução do Plano de Metas. Gostou do que viu. Toda aquela história de que o mercado brasileiro pertence à indústria brasileira, de que os bens produzidos internamente têm de ter conteúdo nacional, de priorizar setores…uma bela inspiração para o Plano Brasil Maior. O nome é mais ambicioso do que o escolhido por Juscelino para batizar o seu plano de desenvolvimento – o conteúdo…bem, esse deixa um pouco a desejar. Não parece ser a estrada milagrosa que levará ao enaltecimento da indústria no País. E o custo fiscal e parafiscal – mais um caminhão de dinheiro do BNDES nos próximos 3 (na realidade, 2) anos – promete.

Passados alguns dias, depois de considerar, cautelosamente, os prós e os contras do passeio, o Presidente do Banco Central rendeu-se à curiosidade e entrou no Isetta. Não é preciso dizer que também fora incitado por Mantega e por seus companheiros de aventuras, que não largavam do seu pé. Não quis voltar tanto no tempo quanto os outros – talvez tenha achado que os detalhes minuciosos e a narrativa eletrizante dos demais já bastassem para que tivesse uma ideia clara do que falavam, sem ter de se arriscar por essas épocas em que o descontrole inflacionário decerto não lhe escaparia. Preferiu reviver o drama de 2008. Não que tivesse se esquecido dos detalhes de um dos episódios financeiros mais marcantes da história recente. Mas sim porque, com o distanciamento de quem observa o ocorrido com o olhar de quem já conhece o desenlace final, poderia ter novos insights sobre os rumos ainda tão incertos da economia mundial. A experiência, entretanto, foi traumatizante. Em contraste com o entusiasmo da Presidente e de seus companheiros de Isetta na volta do passeio, o Presidente do Banco Central retornou assustado. Mais assustado ficou quando viu o esfacelamento político nos EUA em meio à discussão sobre a elevação do teto da dívida, e os bruscos movimentos de reprecificação de risco nos mercados, derivados tanto da constatação de que fragilidade econômica com perda de governança não é uma boa equação, quanto da reavaliação dos cenários de crescimento para 2011 e 2012. Para complicar, observou que os alarmes vermelhos nos mercados de títulos soberanos da Itália e da Espanha continuavam a soar. Ainda com o coração sobressaltado e com o nó na garganta provocados pelo recente tour por 2008, Alexandre Tombini sentiu-se compelido à declarar que a autoridade monetária brasileira agirá com prontidão e precisão para extirpar os riscos do sistema financeiro brasileiro antes que esses possam provocar qualquer estrago.

Isso gerou uma certa confusão. Sobretudo depois que alguns bancos centrais – o suíço, o japonês e o turco – reduziram os juros para atenuar os efeitos da desorganização dos mercados nos últimos dias e semanas. Alguns, compreensivelmente, logo começaram a especular se o Banco Central não estaria cogitando medidas semelhantes, ou pelo menos outras formas de relaxamento monetário. Ficaram apreensivos. A inflação ainda está muito alta, pensaram, e o cenário para o ano que vem é, no mínimo, nebuloso.

Acalmem-se. O motivo da mais recente preleção de Tombini foi o passeio no Isetta, na toada da meia noite, em Brasília. No mínimo, é uma boa fantasia.

Na Sua Ausência

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 29 de julho de 2011 15:58

Nem sei por onde começar a contar tudo o que se passou neste último ano. Sabe aquele quadro do pintor surrealista René Magritte no qual os homenzinhos de terno escuro e chapéu de coco caem do céu como pesadas gotas de chuva – o Golconda? A imagem de todos aqueles indivíduos circunspectos, insuflados de responsabilidade, repentinamente sem chão, imóveis e em queda livre, indefesos contra a força da gravidade, é perfeita para os políticos dos países maduros. A economia e a política têm permitido muitas risadas – você certamente iria apreciar.

 

Acredita que os americanos estão prestes a ter a sua classificação de risco rebaixada simplesmente porque os chapeleiros malucos da terra de Sarah Palin querem organizar uma “Festa do Chá†para garantir o desaniversário de Obama? Nem Lewis Carroll conseguiria armar um enredo tão surrealista. Enquanto os Republicanos e os Democratas brincam de trocar de cadeira e de formular charadas sem resposta como os personagens do chá da Alice, os relógios – e os mercados – derretem, como no quadro de Salvador Dalí, a cada minuto que torna mais próximo o fatídico dia 2 de agosto. A pincelada final de surrealismo é o comportamento das Treasuries americanas, cujo rendimento não pára de cair diante da procura maciça dos investidores por um “porto seguro 

 

E que tal a situação na Europa, que tem seguido à risca o Manifesto Surrealista de André Breton, ditando as suas ações e pensamentos sem nenhum controle da razão e descartando a lógica, já que, como disse o escritor francês, esta só se aplica aos problemas de interesse secundário…A Grécia continua lá, à deriva. Mas não está sozinha. Com ela estão Portugal, Irlanda, Espanha e…Itália! Pois é, a terra do hedonismo dionisíaco também entrou na dança dos (potencialmente) insolventes.

 

Contudo, surreal mesmo é o seguinte: desde que os países avançados resolveram atravessar o espelho, o Brasil parece um país cada vez mais sério. O segredo, entretanto, ainda está muito bem guardado. Poucos foram os que perceberam que o governo brasileiro, talvez inspirado pelo filme de Woody Allen, cujo personagem principal é a sua adorada Paris, voltou aos milagrosos anos 70 e vive intensamente a experiência. O intervencionismo escancarado, a inflação e o BNDE(S) estão com tudo. O Ministro Guido Mantega também. Enquanto isso, a Rainha Vermelha mostrou que sabe cortar cabeças, removendo, com a sua faxina ética, alguns Ministros que acabaram se tornando bastante inconvenientes.

 

O que mais posso contar? Ah, já ia me esquecendo. Uma imagem sensacional, associada a um caso reminiscente de uma cena do Le Chien Andalou de Buñuel – a que um homem tenta agarrar uma mulher e ela primeiro resiste, mas depois cede. Porém, quando ele a imagina nua, a mulher sai correndo como se tivesse sido atacada. Os personagens da trama atual são o ex-Diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn – ele perdeu o emprego por causa disso – e uma camareira aparentemente muito pouco confiável do Sofitel. Você teria se divertido com o episódio, os comentários dos “legal experts†das redes de televisão americanas, as manchetes do Le Monde... Mas talvez a cena que você mais gostasse fosse a das camareiras nova-iorquinas, devidamente uniformizadas, protestando contra o suposto ato infâme de DSK com cartazes que diziam “Shame on youâ€, enquanto o próprio era indiciado em um tribunal americano.   

 

Pena que você não estava aqui – tudo seria muito mais divertido com as suas gargalhadas. Mas não faz mal. Continuaremos rindo por você.

Relatório de Inflação: Salários-Preços-Salários-Preços…

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 7 de julho de 2011 10:57

(Publicado como Comentário Extra de Conjuntura nº 10/11, no dia 29/06/2011)

E por aí vai. O Relatório de Inflação recém-divulgado pelo Banco Central reconheceu de forma bastante contundente que o principal risco para os cenários prospectivos de inflação é a situação do mercado de trabalho. Com taxas de desemprego historicamente baixas, trabalhadores notoriamente mal qualificados, o que resulta em pouco ou nenhum aumento da produtividade, o resultado de fato não poderia ser outro do que o risco de agravamento da espiral salários-preços, que já se observa no País. A existência de mecanismos que favorecem a escalada dos preços – a indexação – garante a harmonia dos acordes monotônicos da inflação brasileira.

O documento do Banco Central explicita que a dinâmica atual dos salários é perniciosa e destaca os aumentos previstos no salário mínimo nos próximos anos como um fator significativo de desancoragem inflacionária no médio prazo. É a primeira vez que a autoridade monetária revela toda a extensão da sua preocupação com o mercado de trabalho. Na discussão sobre a moderação do rendimento real médio desde o ano passado, o Relatório expressa um nítido ceticismo quanto à sua intensidade e eventual influência sobre a trajetória de inflação.

Além dos riscos provenientes do mercado de trabalho, o Banco Central também discorre sobre a persistência na expansão do crédito, identificada como uma das causas para o observado descompasso entre a demanda e a oferta. Embora o documento inclua uma avaliação positiva do impacto das medidas macroprudenciais, ele reconhece que o crédito ainda não sofreu a desaceleração desejada. E aponta, ainda que timidamente, o dedo para o BNDES, ao afirmar que “é oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar as concessões de subsídios por intermédio de operações de créditoâ€. Ponto para o BC.

Notavelmente, o Relatório de Inflação voltou a destacar a importância das expectativas de inflação para a consolidação de cenários mais favoráveis. Especificamente, o documento diz que “existe o risco de que os níveis elevados da inflação mensal e da acumulada em doze meses verificados desde o final de 2010 continuem a influenciar as expectativas de inflação, tornando sua dinâmica mais persistenteâ€. Ao colocar a trajetória das expectativas novamente no cerne do problema inflacionário brasileiro, o Banco Central esvazia as críticas de que estaria negligenciando um elemento tão fundamental para o bom funcionamento do regime de metas. Mais um ponto para eles.

A nota dissonante ficou com a avaliação de que, mesmo diante de tudo isso, “o cenário prospectivo para a inflação mostra sinais mais favoráveisâ€. O documento não deixa claro o motivo para o maior otimismo. Talvez seja a visão de que as medidas macroprudenciais ainda não tiveram o efeito pleno sobre as variáveis macroeconômicas – uma possibilidade que contradiz a versão original de que esses instrumentos seriam rápidos e potentes. Talvez seja a crença na potência da política monetária, que hoje seria capaz de fazer mais com menos, uma grande vitória para o gradualismo. Talvez seja o cenário internacional mais incerto, porém mais benigno para a inflação, com o quadro vislumbrado pelo BC de moderação na alta dos preços das matérias-primas.

Ou quem sabe é apenas a introdução de um timbre diferente para quebrar a motononia. Como dizia Tom Jobim, “Eis aqui este sambinha feito numa nota só. Outras notas vão entrar, mas a base é uma sóâ€. De todo modo, a música ficou boa.

Canções para a Grécia

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 22 de junho de 2011 15:51

You’ve got to accentuate the positive

Eliminate the negative

Latch on to the affirmative

Don’t mess with Mister In-Between

You’ve got to spread joy up to the maximum

Bring gloom down to the minimum

Have faith or pandemonium’s

Liable to walk upon the scene

To illustrate my last remark

Jonah in the whale, Noah in the ark

What did they do just when everything looked so dark?

(Harold Arlen and Johnny Mercer, 1944 – na voz de Ella Fitzgerald)

Cantada como um sermão, ou uma preleção, na voz inesquecível de Ella Fitzgerald – talvez a melhor gravação dessa popular canção dos anos 40 – a música é uma exortação ao otimismo, ainda que a escuridão não pare de avançar, ou até já tenha se instalado de vez. Para a Grécia, claramente, só restou a opção de agarrar-se com unhas e dentes ao otimismo, mesmo que infundado, para não ter de enfrentar os entrementes, o famigerado senhor das trevas e dos espaços vazios – o Demônio, o Default.

Os líderes europeus e o FMI continuarão, à sua maneira um tanto atrapalhada, tentando espalhar a fé e a alegria. Afinal, como diz a canção, esse é um jeito de impedir que o pandemônio roube a cena. Na prática, o que isso significa é que apesar das táticas de negociação e das palavras duras, todos estão empenhados em esticar a corda para a Grécia, continuando a carregá-la na arca de espécimes raros e em risco de extinção na qual se transformou o laboratório da eurozona. Ou seja, dificilmente serão os políticos estrangeiros e os tecnocratas internacionais que empurrarão o país para a barriga da baleia…

Mas isso não quer dizer que o país não possa ser engolido pela desordem e pela frustração cetáceas, como o Jonas bíblico, ou o pai de Pinóquio. O voto de confiança concedido ao governo de George Papandreou não garante um resultado favorável às novas medidas de austeridade que serão avaliadas pelo Parlamento em breve, embora, em tese, aumente as chances disso acontecer. Mesmo que esse obstáculo seja superado, abrindo o caminho para o desembolso de 12 bilhões de euros da UE e do FMI, sem o qual a Grécia seria forçada à moratória, ainda restará a grande incógnita: até quando a população aguentará o arrocho, os cortes dos salários, as reduções das aposentadorias, os aumentos dos impostos, as privatizações como recurso de última instância, a ingerência dos líderes europeus e dos burocratas internacionais? Porque é a resposta a essa pergunta, e não os questionamentos sobre o que o FMI fará ou deixará de fazer, que determinará o “fim de jogo†para a Grécia. Os burocratas e os políticos do resto da eurozona, por mais que reclamem e esperneiem, no íntimo continuarão cantarolando a contagiante canção de Arlen e Mercer.

À canção ingênua e otimista dos tecnocratas e dos políticos, os argentinos responderam – no início dos anos 2000 – com um tango nostálgico, sofrido e angustiado. Talvez a Grécia responda com os chutes e rodopios do Sirtaki, na beira da praia, ao som da magnífica música de Zorba, o Grego.

O Quereres

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Por Monica Baumgarten de Bolle - 17 de junho de 2011 9:57

Onde queres certeza, sou a dúvida

E onde queres o sólido, vapor

Onde queres a força, a fraqueza

E onde queres destreza, mansidão

Onde queres o preto ou branco, o cinza

E onde queres impulso, a hesitação

Onde queres clareza, escuridão

E onde queres apoio, não há chão

(Com a música de Caetano Veloso)

A estrofe acima é uma paráfrase da canção de Caetano Veloso. O antagonismo entre o que se quer e o que se é simboliza as contradições exacerbadas que marcam o ambiente internacional. Representa também a debilidade do governo brasileiro, cuja equipe econômica nunca foi tão despreparada para enfrentar tamanha hostilidade do quadro externo, e interno.

As declarações do Ministro Guido Mantega sobre o risco da dívida soberana brasileira comparado ao da dívida soberana americana são emblemáticas do despreparo. O júbilo do Ministro perante a constatação de que os Credit Default Swaps de 1 ano do Brasil passaram a render menos do que os CDS americanos de mesma maturidade revelam não só a incompreensão de Mantega sobre a natureza e a importância desses ativos, como a desconsideração – intencional ou não – de que é o impasse político sobre a elevação do teto da dívida nos EUA que está provocando essa anomalia. Confundindo o absoluto com o relativo, o Ministro destacou a solidez da economia brasileira e a condução impecável da política econômica como os motivos para a percepção favorável de risco do País. Mas a verdade é que é o demérito do mundo, e não o mérito brasileiro, que nos favorece. E o País está convergindo gradualmente para o resto do mundo, com os desequilíbrios acentuados da economia, com a fragilidade política do governo – refletida nos atrasos e na virtual paralisação dos projetos –, e com a pobreza do debate macroeconômico.

O Banco Central, com seu novo estilo manso, tenta navegar as intempéries da economia brasileira e do quadro global com um discurso de tonalidade acinzentada. A ata da última reunião, praticamente indêntica à de abril, deixa margem para diversas interpretações e evidencia a hesitação. O documento menciona as incertezas quanto à moderação da atividade doméstica, revela que as projeções de inflação para 2011 e 2012 continuam acima da meta, embora tenham recuado desde abril, e sublinha que o ambiente inflacionário global está mais incerto. Ao mesmo tempo, destaca os riscos fiscais europeus e as implicações para o sistema bancário da região, em lugar dos problemas geopolíticos no Oriente Médio/Norte da Ãfrica e dos seus desdobramentos para a evolução do preço do petróleo, e observa que o cenário prospectivo para a inflação ficou mais favorável. A avaliação é condizente com mais uma alta de 25 bps da Selic. E, possivelmente, até com um pouco mais do que isso, já que o esforço de ancorar as expectativas, sobretudo para 2012, ainda está longe de terminar.

No entanto, pesam sobre o Banco Central ao menos duas nuvens carregadas de problemas. De um lado, a provável exacerbação do quadro inflacionário no fim desse ano e no início do ano que vem com as perspectivas de fortes aumentos nos dissídios de setembro, com a dinâmica perversa do mercado de trabalho e com a elevação de 14% do salário mínimo em 2012. A porosidade do governo de Dilma Rousseff agrava esse quadro ao dizimar o otimismo quanto à capacidade de reduzir os gastos públicos de forma mais permanente. De outro lado, a periculosidade do ambiente externo, cercado de graves impasses políticos, pode complicar muito os cenários para a política monetária brasileira, sobretudo com uma inflação mais resistente. Nos dois contextos faltará ao Banco Central um interlocutor – e um aliado – capaz de alinhar a Presidente com a autoridade monetária, dissipando os vapores funestos do despreparo concentrados em outras áreas da equipe econômica brasileira.

Ah Bruta Flor do Querer…