HOME
QUEM SOMOS
EQUIPE
PUBLICAÇÕES
LEITURAS SUGERIDAS
BLOGS
CONTATO
Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010
Monica Baumgarten de Bolle
ORIGINAL POST
Monica Baumgarten de Bolle
Título:
Até tu, Brutus?
19.03.09 4:11 pm Os escândalos dos bônus das instituições financeiras beneficiadas por recursos públicos nos EUA, a contínua deterioração dos indicadores econômicos, e a incapacidade de restaurar os fluxos de crédito estão massacrando o Secretário do Tesouro, Tim Geithner. Os principais jornais já especulam sobre a sua permanência no cargo, e deixam claro que Geithner está se tornando um estorvo para a administração Obama. O relatório do FMI para a reunião preparatória do G-20 no último fim de semana divulgado hoje critica abertamente a atuação das autoridades americanas na crise, sobretudo o Plano de Estabilidade Financeira recentemente anunciado pelo Secretário do Tesouro.
O relatório do Fundo diz que o Plano de Estabilidade Financeira dos EUA “contém elementos de uma boa estratégia, porém mais detalhes são necessários para acalmar os mercados”. Traduzindo o “Fundês”, isto significa que a instituição acredita que o plano é mortalmente insuficiente para resolver a crise bancária. Nas suas recomendações para resolver os problemas financeiros, o Fundo defende enfaticamente a separação dos balanços das instituições, isto é, o uso do modelo “good bank/bad bank”, bem como a estatização parcial e temporária dos bancos mais afetados pela crise, citando os precedentes estabelecidos pela experiência da Suécia, dos EUA no fim dos anos 80, e do Japão (além dos inúmeros outros episódios em que a instituição esteve direta ou indiretamente envolvida).
O relatório divulgado hoje também traz as novas projeções para o crescimento mundial, dos EUA, da Europa, e do Japão para 2009 e 2010. A instituição agora trabalha com uma retração entre 1% e 0,5% para a economia mundial em 2009, uma queda de 2,6% para o PIB americano, uma contração de 3,2% para a Europa, e uma brutal recessão no Japão, com queda na atividade de 5,8%. As perspectivas de recuperação também pioraram substancialmente. O Fundo agora projeta uma estagnação global em 2010, com a recuperação iniciando-se apenas no terceiro trimestre do ano que vem. Entretanto, o documento ressalta que “as chances de uma recuperação (nos EUA e no mundo) a partir de meados de 2010 estão diminuindo” diante da demora em resolver a crise financeira. Os leitores atentos das últimas edições da Carta Galanto notarão que a hipótese de uma recuperação mundial somente a partir do fim do ano que vem (no melhor dos casos) fundamenta os cenários de referência para as nossas projeções desde dezembro de 2008.
Já argumentei, neste blog e em artigos para a Carta Galanto, que a melhor forma de olhar para a atual crise bancária é através da ótica das redes complexas. A crise atual não teve origem apenas nas falhas de algumas instituições, mas na interrupção do funcionamento de toda a rede de fluxos de crédito. A complexidade desta rede é que permitiu a multiplicação da liquidez bancária e não-bancária no período de exuberância, e é agora a razão para a devastação dos fluxos de crédito. Ou seja, um maior grau de complexidade da rede aumenta o multiplicador monetário, o que significa que quando a rede entra em colapso, o esforço que o Fed tem de fazer para restabelecer os níveis de liquidez anteriores tem de ser muito maior (por que o multiplicador desaba – figura 1).
Figura 1
Esta é a razão para o estarrecedor aumento do balanço da autoridade monetária americana, que deverá crescer ainda mais este ano. Entretanto, a sustentação dos fluxos de crédito depende da recomposição da rede, que é função tanto do esforço do Fed, quanto da restauração da confiança. E a restauração da confiança depende de um plano abrangente e consistente para os bancos e de um Secretário do Tesouro que não tenha sua legitimidade questionada.
Comentários postados
Adicionar comentário
Voltar para o Blog
Copyright © 2007 • Galanto Consultoria • Todos os direitos reservados •
Webmaster