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Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010
Monica Baumgarten de Bolle
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Monica Baumgarten de Bolle
Título:
EUA: Half-and-Half
18.03.09 7:06 pm O half-and half é um laticínio tipicamente americano constituído de 50% de leite integral e 50% de creme de leite. As novas medidas anunciadas hoje pelo Fed são uma tentativa de fabricar outro tipo de half-and-half. Ao invés de uma década inteira perdida, 50% de privação e 50% de inflação...
O Fed hoje surpreendeu os mercados ao anunciar que pretende comprar US$ 300 bilhões de títulos do Tesouro. Apesar dos mercados terem reagido à intenção de atuar diretamente no mercado de Treasuries, o que realmente espanta é a dimensão dos planos de expansão do balanço da autoridade americana, que pode chegar a 37% do PIB (ver detalhes abaixo), ou mais do que o auge do afrouxamento quantitativo japonês, quando o balanço do Banco do Japão chegou a 30% do PIB.
Embora o anúncio sobre as compras de títulos do Tesouro tenha sacudido os mercados, Bernanke já havia explicitado, no famoso discurso proferido em 2002, suas preferências em relação aos instrumentos para evitar a deflação (“Deflation: Making sure “It” doesn´t happen here”). Em um post de novembro do ano passado (ver blog de 4/11) onde discorria sobre o discurso de 2002, mencionei que Bernanke falara explicitamente na possibilidade de fixar tetos pré-anunciados para os rendimentos do títulos do Tesouro de prazo mais longo através de compras diretas destes ativos. Há precedentes para este tipo de medida, adotada no pós-guerra antes do Reserve-Treasury Accord de 1951. Se bem-sucedida, gera uma redução em todas as taxas ao longo do espectro de maturidades, impulsionando a demanda agregada e impedindo o colapso que detonaria um processo deflacionário. O problema no caso atual é que os bancos mais afetados pela crise estão sendo em parte recapitalizados com papéis do Tesouro. Caso o rendimento destes títulos tenha um teto, uma parte do fluxo de recursos para a restruturação dos balanços das instituições financeiras fica comprometido.
Além das compras de Treasuries, o Fed também anunciou novas expansões no seu balanço totalizando US$ 850 bilhões (compras de títulos e dívidas de Fannie e Freddie). Somando as quantias para as compras de títulos do Tesouro, das agências Fannie Mae e Freddie Mac, e das dívidas destas agências, o balanço do Fed este ano deve aumentar mais US$ 1,25 trilhões. A este valor, deve-se somar também o dispositivo de crédito para empresas e famílias, a TALF, de cerca de US$ 1 trilhão, e os planos para as compras de ativos problemáticos em parceria com o setor privado, também de US$ 1 trilhão. Com isso, o balanço do Fed chegaria a US$ 5,2 trilhões, 5 vezes maior do que em outubro de 2007. Levando em consideração a provável contração de cerca de 3% da economia americana este ano, o potencial balanço do Fed equivaleria a 37% do PIB, mais do que o balanço do Banco do Japão no auge do afrouxamento quantitativo.
A agressiva expansão do balanço do Fed não deixa dúvidas sobre a intenção das autoridades americanas de evitar uma década perdida à la Japão. Entretanto, com as enormes dificuldades de recompor rapidamente a rede de fluxos de crédito e a violenta deterioração dos balanços do setor público, o resultado mais provável é o meio a meio: menos tempo perdido, porém muito mais inflação...
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