Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010

Monica Baumgarten de Bolle




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Monica Baumgarten de Bolle
Título:

Os Brotos Ameaçados


13.04.09 6:36 pm
Até agora, as últimas notícias da Ásia haviam sido bastante positivas, ajudando a sustentar a euforia primaveril que dominou os mercados globais recentemente. Os indicadores da indústria chinesa melhoraram, o Japão anunciou um substancial pacote de estímulo fiscal, e a Córeia deu sinais de que o sofrimento das indústrias ligadas ao setor externo estava se dissipando. O caos da Tailândia, que interrompeu a reunião de cúpula do ASEAN no fim de semana, é uma ameaça à sustentação do dinamismo asiático, adicionando uma nova camada de incerteza às combalidas perspectivas globais.

É difícil exagerar a importância da coordenação regional neste momento. A reunião do ASEAN, composto pelas 10 economias do sudeste asiático (Tailândia, Vietnã, Cambodia, Laos, Brunei, Burma, Malásia, Indonesia, Filipinas e Cingapura) seria o primeiro esforço regional desde a reunião do G-20 no início de abril. Deste encontro participariam também representantes da China, do Japão, da Coréia e da Índia. Era uma ocasião importante para países como a Coréia, que precisa da recuperação dos vizinhos para estimular a economia local, muito dependente do comércio internacional, sobretudo da rede de produção intra-asiática. Como noticiou o jornal Financial Times, a reunião marcaria a assinatura do acordo de investimentos entre a China e o ASEAN (“ASEAN-China Investment Pact”), visto como um passo importante para o desejado acordo de livre comércio entre os 10 países, a China, o Japão e a Coréia.

Os violentos protestos na capital tailandesa que interromperam o encontro são mais um exemplo dos desdobramentos adversos que ameaçam as perspectivas de recuperação mundial. Para o Brasil, sem sinais de recuperação nos EUA antes de 2010, o otimismo em relação às matérias-primas depende de uma revigoração do complexo asiático. E o dinamismo da Ásia depende não só da capacidade de compensar a redução da demanda externa com o aumento do consumo interno, como também da estabilidade social e geopolítica da região. Ambas estão seriamente ameaçadas com as estripulias da Coréia do Norte e agora com o caos tailandês.

Como as tsunamis e outros fenômenos naturais, as crises frequentemente vêm em séries, o que significa que a possibilidade de que novas ondas adversas afetem a economia mundial ainda é substancialmente maior do que a de que a crise financeira tenha sido uma única e enorme cascata de água.

Abusando da metáfora germinativa, há plantas que morrem se molhadas em excesso. Há outras que só sobrevivem em meio a muita água, como o arroz. Esperemos que este, como principal cultivo e alimento dos países asiáticos, simbolize a capacidade de resistência da região.



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