Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010

Monica Baumgarten de Bolle




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Monica Baumgarten de Bolle
Título:

Versos da Primavera


07.04.09 4:30 pm
O fim do mês de março marca o início da primavera no hemisfério norte. A primavera é a estação mais auspiciosa do ano, sendo associada aos rituais de fertilidade e renascimento, o que talvez explique a sensação de esperança que predominou recentemente. Nos últimos dias proliferaram as referências aos “ brotos da recuperação” (“green shoots of recovery”), motivadas pelas evidências esparsas de “melhora” e pela bem-sucedida reunião do G-20. No entanto, nunca é demais lembrar que a primavera é também uma estação altamente volátil, em que as temperaturas e as condições meteorológicas costumam oscilar dramaticamente...

Há razões para o “otimismo” cauteloso? Depende. Por um lado, há sinais de que a velocidade de queda do comércio e da atividade industrial global esteja arrefecendo. O ISM americano, a confiança do consumidor nos EUA, os índices qualitativos da indústria na Alemanha e o PMI chinês são exemplos de indicadores que pararam de piorar em março. No Brasil, há alguns indícios preliminares de que a indústria no último mês tenha apresentado um desempenho bem superior ao dos dois primeiros meses do ano, o que apesar de não querer dizer muita coisa, ao menos sugere que a próxima divulgação do IBGE possa surpreender positivamente. E surpresas positivas são sempre bem-vindas.

Mas apesar dos indícios de que a piora generalizada esteja perdendo fôlego, a situação da economia global é extremamente precária, como mostram as novas estimativas do FMI para o montante das perdas com os ativos tóxicos do sistema bancário, agora em US$ 4 trilhões, e as perspectivas sombrias para a situação das empresas que começarão a divulgar seus resultados nos próximos dias. Paira sobre os mercados o espectro de uma nova rodada de pessimismo com o impacto ainda não revelado do aumento das taxas de desemprego sobre a renda e o consumo das famílias, sobre as vendas das empresas, e sobre os debilitadíssimos balanços bancários, sobretudo nos EUA. Não é para menos. Um artigo recente de Barry Eichengreen e Kevin O´Rourke, cujo resumo pode ser encontrado em www.voxeu.org, mostra que a crise atual é pior do que a da década de 30. Reproduzo abaixo alguns gráficos do artigo, onde se vê a evolução comparativa dos índices globais de produção industrial e comércio na crise atual e na Grande Depressão (o eixo horizontal indica o tempo, em meses, decorrido desde a eclosão dos dois episódios).

Figura 1 – Atividade Global


Figura 2 – Comércio Mundial


Ao mesmo tempo, as medidas de política econômica têm sido bem mais drásticas, como ilustram os gráficos abaixo do mesmo artigo.

Figura 3 – Política Monetária


Figura 4 – Déficits Orçamentários


Em um futuro post explicarei porque não acredito que estas medidas, embora necessárias, serão suficientes para reativar os motores da economia global de modo que voltem a funcionar com a mesma eficiência e agilidade com que trabalhavam no passado recente. Ou seja, o mais provável é que a saída da crise, assunto que até Nouriel Roubini já começa a abordar, envolva um equilíbrio de pior qualidade para a economia mundial por um longo período. Mas, por ora, termino este post com alguns versos primaverinos de autoria desconhecida (encontrado na internet):

“Spring is not the best of seasons.
Cold and flu are two good reasons;
wind and rain and other sorrow,
warm today and cold tomorrow.”
~Author Unknown



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