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Terça-Feira, 07 de Setembro de 2010
Monica Baumgarten de Bolle
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Monica Baumgarten de Bolle
Título:
Inércia Industrial
01.04.09 4:14 pm Confirmando as nossas expectativas, a atividade industrial de fevereiro continuou anêmica, com um crescimento de apenas 1,8% no mês. Na série sem ajuste sazonal (e sem correção para o número de dias úteis, que foi menor em fevereiro de 2009 na comparação com o ano passado), a queda em 12 meses foi de 17%. Os resultados foram negativos para todas as categorias de uso, com destaque para os bens de capital, cuja retração nos últimos 12 meses foi de 24,4%. Com isso, a indústria retornou aos níveis de meados de 2004 e início de 2005 (figura 1), e as perspectivas para o PIB do primeiro trimestre, mesmo que haja uma recuperação da atividade industrial em março, agora variam entre a retração e a estagnação. A inércia industrial constatada em fevereiro é sintomática da conjuntura internacional, cuja debilidade é ainda evidente.
Figura 1
O mercado foi surpreendido por resultados bem piores do que o esperado para a indústria brasileira, apesar das evidências de que a retomada do comércio e da atividade global ainda está longe de acontecer. As manchetes no resto do mundo seguem carregadas de notícias negativas. Hoje, a Coréia anunciou uma queda de 21% das suas exportações em março, e dados preliminares apontam para a continuação da debilidade industrial na China, cujo índice PMI oficial a ser divulgado brevemente deverá mostrar uma piora em relação a fevereiro. O índice Tankan, que mede a confiança na indústria japonesa e acaba de ser divulgado pelo Banco do Japão, atingiu o seu menor nível histórico nos primeiros meses de 2009. Refletindoa fragilidade do cenário mundial, o índice PMI global construído pela Galanto Consultoria continua bem inferior aos 50 pontos, nível abaixo do qual a atividade industrial global está em processo de retração (figura 2).
Figura 2
Amanhã terá início a reunião do G-20, cercada de controvérsias e divergências. Dificilmente emergirá deste encontro um receituário comum e abrangente para combater a crise, não somente porque as personalidades envolvidas estão longe de ser visionários à altura de Winston Churchill, Franklin D. Roosevelt, e John Maynard Keynes, mas também devido à incapacidade de articular uma resolução definitiva para a crise bancária, que já se arrasta há quase dois anos. Não é à toa que as instituições internacionais continuam revisando freneticamente as suas projeções. A mais recente estimativa para as economias industrializadas, divulgada pela OCDE, prevê uma contração de 4,3% este ano, o que é consistente com uma queda do PIB global de cerca de 3%, bem superior às últimas estimativas do FMI (que preveêm uma queda entre 1% e 0,5%).
Neste contexto, é difícil enxergar de onde virão as forças de recuperação da economia brasileira, sobretudo da indústria, que está hoje muito mais acoplada à evolução da economia global do que no passado. Mesmo que o governo tivesse um diagnóstico mais coerente e realista do impacto da crise no Brasil, dificilmente as medidas seriam suficientes para estancar a sangria detonada pelo choque externo. O máximo que se pode esperar é que ao menos as providências tomadas até agora sirvam para impedir que o susto seja muito maior. Certamente, a retórica repleta de disparates não ajuda a promover a imagem de seriedade do Brasil em um momento tão sensível e incerto quanto o atual.
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